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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

INTERAGINDO

Cartas para Mel - VI
A droga que atrasa e a graça que liberta

Flávio Rezende
É escritor, pai de Mel e Gabriel e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)


        Minha doce a amada Mel, estamos atravessando o período carnavalesco do ano 2010, data que marca alguns acontecimentos muito importantes da vida de painho, motivo pelo qual escrevo esta carta hoje, para que possa servir de reflexão para você no futuro.

        Exatamente 30 anos atrás, seu pai começava, aos 18 anos, vivências na área da recreação emolduradas pelo consumo liberado de bebidas alcoólicas. Era o tempo da cerveja gelada com ovo de codorna e batata frita. Tendo um dinheirinho a mais, saia um filé com fritas ou caipirinha com calabresa de tira gosto.

        Com os hormônios em ebulição, o rock tocando nos aparelhos de som - bem diferentes dos que deve estar usando quando ler esta carta - curtíamos festas embaladas pela onda “discoteca” e por pesos pesados do rock internacional, como Santana, Yes, Pink Floyd, Janis Joplin, Beatles, Elvis, Rick Wakeman e tantos outros igualmente eleitos à época.

        Influenciado por alguns amigos, seu pai experimentou e passou a usar cigarro, maconha e loló. No começo de maneira esporádica, de acordo com as sobras da mesada, sempre mais direcionada naquele tempo para a “birita” mesmo.

        O tempo foi passando e outras substâncias foram chegando, recebendo guarita de uma parte dos jovens, estando seu pai no meio. A cocaína foi a mais devastadora destas drogas que chegaram e foi, infelizmente, lentamente se instalando entre nossa geração.

        Apesar do consumo ser recreativo e com um pano de fundo cultural e social, o tempo passou e poucos conseguiram largar. O que era algo eventual começou a ser usual e, o que era uma diversão, começou a ser um grande problema.

        Nos anos 90, comecei a ter interesse por questões espirituais e estive na Índia, conhecendo Sai Baba, chamado de “guru” daquela abençoada terra, incorporando assim em minha vida interesses outros e, começando também, um forte desejo de deixar tudo: álcool, tabaco, maconha, cocaína e até o consumo de carnes em geral e açúcar branco.

        Minha linda Mel, seu pai passou 20 anos de uma maneira ou de outra consumindo as substâncias acima descritas. Mesmo sendo tendente ao bem, nunca prejudicando uma outra pessoa, as drogas de alguma maneira, inutilizam vidas e atrasam projetos.

        O uso contínuo de uma ou de várias drogas, de maneira mais acentuada ou leve, conduz os usuários à prática da mentira, ao egoísmo, à perda de memória, desagregação familiar, uso inadequado de veículos, sexo irresponsável e a uma série de outras ações, sempre negativas e perigosas.

        Doce Mel deve ter, é claro, alguém que vem nessa balada há muito tempo e nunca aconteceu nada, nem a nível individual, com sua própria saúde, nem causou nenhum mal a coletividade. Esses poucos alguéns são raros.

        Durante os vinte anos em que estive envolvido, mesmo que de maneira leve e recreativa com essas substâncias, enterrei alguns amigos, presenciei acidentes, brigas, roubos, prisões, ouvi muitas mães aflitas, mulheres com lamentos e filhos órfãos da presença dos pais.

        As drogas tornam as pessoas egoístas em todos os níveis, fechadas, estressadas, sem saúde e com mania de perseguição. Ela destrói lentamente e, às vezes, aceleradamente, todas as grandes conquistas de um ser humano: a serenidade, a família, o trabalho, a disposição de ajudar o próximo e o amor universal.

        Sabendo que a cada nova droga incorporada morria um pouco do que ainda tinha de bom dentro de mim, comecei a ficar cada vez mais incomodado com os goles, as tragadas, as cheiradas e as noitadas sem fim.

        Numa terça-feira carnavalesca, dez anos atrás, no ano 2000, cheirei cocaína em Pirangi e voltei para casa. Não consegui dormir. Sozinho, virei na cama para lá e para cá, agitado, sem fôlego tentava e não conseguia. Aflito olhei o retrato de Sai Baba na parede e supliquei com força, “Swami me tira desse imprensado, não quero mais usar nenhuma droga, por favor!”.

        Minha querida e doce Mel, o que chamam de uma graça, um pedido atendido, um milagre, aconteceu com seu painho. Da quarta-feira de cinzas do ano 2000 até hoje, este carnaval de 2010, nunca mais, em tempo algum, usei mais nenhum tipo de droga.

        A alegria com a vitória foi tanta que fui deixando outros vícios como cigarro e até a carne. Hoje, painho luta para não usar mais açúcar branco e derivados do leite e ovo. Como já lhe disse em outras cartas, eu e sua mãe somos ovo-lacto-vegetarianos, mas quero me tornar um vegano, não comer nada de origem animal.

        Ainda temos várias coisas a serem deixadas de lado, nada do que fica para trás deixa saudade. Avançamos felizes e saudáveis abandonando vícios e posturas que não nos fazem bem.

        Deixo esse alerta para você e para Gabriel, pois as drogas atrasaram minha missão espiritual com a Casa do Bem em vinte anos. Hoje tudo já estaria bem mais adiantado caso tivesse dito não às drogas.

        Mas estou bem. Estou firme e feliz. Retomei a missão dez anos atrás, muitas coisas maravilhosas aconteceram e milhões de outras acontecerão.

        Sobrevivi e digo para você e para toda a sua geração que o poder das novas drogas é mais devastador ainda. As do meu tempo mataram muitos, destruíram outros moralmente e desestabilizaram muitos socialmente.

        Mel, as novas drogas viciam ao primeiro contato. No seu tempo devem ser potencialmente mais fortes. Assim como muitos trabalham pelo bem, outros tantos inventam e fabricam a morte para ficar mais ricos.

        Não siga por este caminho. A vida é muito mais colorida sem drogas. A vida é muito mais saudável sem psicotrópicos. A vida é muito mais interessante quando estamos serenos, tranqüilos e conscientes do que estamos fazendo.

        Hoje estou mais vivo que ontem e, amanhã, estarei mais disposto e mais eficiente para a prática do bem. Vem comigo, eu e sua mãe convidamos você e Gabriel para viver a vida de maneira clara, brilhante, cheirando apenas as rosas e fumando só o ar, o puro ar que vamos buscar onde ele estiver.

        Você decide, falo por experiência própria, não vale ir por este caminho, a luz está na sobriedade, na verdade, no amor pela família, pelos semelhantes e por um corpo saudável e limpo.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

REPORTANDO

Exportadores querem vender 30% mais de frutas para Europa

Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil


        Rio de Janeiro – Há espaço para as frutas brasileiras no mercado europeu. É o que garante a gerente executiva do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), Valeska de Oliveira, que trouxe importadores de Portugal para conhecer o setor, durante o carnaval. A expectativa é estimular, nos próximos dois anos, um crescimento de 30% nas exportações para a Europa.

        Atualmente, o Brasil vende para o exterior cerca de 2% da produção nacional, que é de 43 milhões de toneladas por ano. As exportações de frutas e polpas somam cerca de U$ 600 milhões, anualmente, mas podem crescer com a maior visibilidade de produtos no exterior. É o que defende o gerente comercial da Eurofrutas – uma das maiores importadoras europeias, André Paixão. “O Brasil tem a melhor fruta da América Latina”, disse.

        Frutas frescas como o mamão papaya, a manga e a goiaba são as grandes apostas do setor, assim como alimentos processados na forma de sucos, geleias e até a brasileiríssima goiabada. “Eles [europeus] estão interessados no diferencial de sabor e o Brasil apresenta uma diversidade. Além disso, investem em qualidade de vida e vender frutas é vender saúde”, disse Valeska.

        Depois de uma semana de atividades promovidas em conjunto com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações (Apex-Brasil), no Rio, Valeska vai levar os empresários portugueses para conhecer indústrias em São Paulo, Vitória, Natal e Fortaleza, a partir de quarta-feira (17), onde eles poderão conhecer o processamento das frutas e o envase para exportação.

        “O Brasil tem tecnologia e profissionalismo. Tem mão de obra qualificada. A exportação de frutas é um trabalho muito delicado de preparação, que requer conhecimento em técnicas de produção e logística”, destacou a gerente do Ibraf.

        Um dos principais interessados nas frutas brasileiras e um dos maiores compradores do mercado europeu, a Eurofrutas reconhece o potencial brasileiro. O gerente comercial da empresa portuguesa avalia que esses produtos ainda são pouco conhecidos na Europa, mas que, a cada ano, cresce a procura e as importações.

        “Existe uma grande tradição do consumo de frutas tropicais em Portugal, que remonta o período colonial e faz do país o maior consumidor do produto na Europa. Mas há um crescimento da procura por frutas brasileiras no Norte da Europa, no Reino Unido e na Espanha”, afirmou.

        De acordo como gerente português, o desafio é fazer chegar ao mercado externo frutas maduras, de boa qualidade, que preservem o sabor tradicional. “Antes, se importava frutas verdes, sem os devidos cuidados. Estamos começando a mudar isso. Nós só importamos de avião para garantir a qualidade”, afirmou.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

ENTREVISTANDO

Circo Grock: uma fábrica de talentos

        Senhoras e senhores, bem vindos ao maravilhoso mundo cor circo! No "espetáculo" de hoje, a repórter Silvia Correia conta um pouco da história do famoso palhaço Espaguete, na entrevista com Jonilson José de Moura, o Nil Moura, responsável pelo Circo Grock. Nil, que também atende pelo nome de Palhaço Espaguete, tem 41 anos e se formou em 1990, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) no curso de teatro. Ele tem também especialização na arte do circo pela National Circus Theater, faculdade suíça localizada na cidade de Maltre.

        Dezesseis anos atrás, um grupo de jovens potiguares – apaixonados pela magia circense – resolveu encontrar algum curso com formação nas artes do circo. Como Natal não poderia ajudá-los a realizar esse sonho, decidiram viajar para a Europa. Lá, se especializaram pela National Circus Theater e trabalharam durante 11 anos. Apesar de todo esse período fora do Brasil, eles sempre retornavam - nas suas férias de três meses - para as raízes e se apresentavam Brasil afora.

        No ano 2000, em uma de suas passagens pela terra natal, os jovens artistas começaram com a ideia da criação de uma escola circense com o teatro Caramelada, que eram oficinas permanentes da arte do circo no Museu Câmara Cascudo. Então, em 2005, eles retornaram da Europa para a capital potiguar e criaram a primeira escola de circo do Rio Grande do Norte. Juntaram os seus cachês para comprar os materiais e equipamentos necessários e começaram as primeiras apresentações do Circo Grock pelo estado para arrecadar mais dinheiro. Era o primeiro passo para a criação da ONG Escola Potiguar de Artes do Circo.

        O grupo teve o apoio da Capitania das Artes, que repassou o material para a concretização do circo. Em 2008 e 2009, se inscreveram no edital de Ponto de Cultura do RN. A estreia aconteceu no largo do Machadão, onde permaneceu por um tempo e dali foi se mudando para outros pontos da cidade, como conjunto Mirassol e Candelária. Hoje, o Grock encontra-se na avenida Omar O'grady (prolongamento da Prudente de Morais), no Pitimbu, próximo ao Parque da Cidade, e é muito mais que uma associação sem fins lucrativos de formação profissional, mas uma entidade que desempenha um papel social.

        Com vocês, a entrevista de Nil Moura:

Criando Pauta – O que é o Circo Grock/ Escola Potiguar de Circo (Epac) e qual o objetivo de vocês?
Nil Moura: É um projeto auto-sustentável, uma ONG, onde nós - artistas especializados nas artes circenses - lecionamos para crianças, adolescentes e universitários com o objetivo de formar profissionais aptos para as artes do circo, aprimorar os circos já existentes e multiplicar o número de profissionais do ramo do circo e resgatar os circos de antigamente sem a pornografia. Só que com tudo isso acabamos por desenvolver um projeto de cunho social.

CP - Quem foram os fundadores? A equipe atual é composta por quantos membros?
NM: Eu e Gena Leão. Depois se associaram Eugênio Patchelli e Ana Cecília. E o restante da equipe é composto por ex-alunos que se tornaram professores.

CP - Por que o trabalho de vocês pode ser considerado de cunho social?
NM: Porque o nosso espaço não só serve para espetáculos circenses, mas também funciona como escola, trabalhando a princípio com crianças e adolescentes com idades entre 10 e 18 anos que estejam matriculados no ensino público da capital. A ideia é ocupar o horário vago do estudante. O fascínio que tentamos passar para os alunos acaba por encantá-los e ajudá-los a sair da marginalidade e/ou a não se desviarem do bom caminho. Buscamos os fazer enxergar o potencial que possuem e com isso, cumprimos um papel social.

CP - O circo sobrevive de quê? Tem patrocínio? Governo e prefeitura ajudam?
NM: Agora contamos com a ajuda do Ministério da Cultura. Esse capital vem do governo que contribui com 20% no projeto Cultura Viva através da Fundação José Augusto. A função dessa fundação é exatamente essa: repassar os recursos para os Pontos de Cultura.

CP - Qual a origem do nome Grock?
NM: Escolhemos esse nome Grock, porque queríamos colocar o nome de algum palhaço brasileiro reconhecido, mas como todos os palhaços mais reconhecidos já possuíam os seus nomes em circo e optamos por colocar Grock, que é o nome do palhaço rei no mundo inteiro. Grock ficou famoso pelo fato de saber realizar a perfeita fusão da interpretação do palco dentro do picadeiro.

CP - O circo Grock se apresenta também fora do Rio Grande do Norte?
NM: Ainda não, a atuação ainda é só dentro de Natal. Mas pretendemos, no futuro, nos apresentarmos por outras cidades do Nordeste.

CP - Qual o perfil do público que vem ao Circo Grock?
NM: O perfil é muito variado. No começo, tivemos uma classe média alta, pois estávamos localizados ao lado do Machadão e o preço também era um pouco elevado por isso. Contudo, hoje, o nosso espetáculo atinge um número expressivo de pessoas de quase todas as classes. Muita gente conhece nosso trabalho.

CP – Como é feita a divulgação do Circo Grock e da Epac?
NM: A divulgação é feita diretamente nas escolas e empresas. Fazemos muito mais espetáculos fechados que para o grande público. Só abrimos para esse “grande público” nos sábados e domingos às 17 horas. Abrimos esse espaço exatamente para haver uma democracia, para que as pessoas da comunidade em que nos encontramos possam usufruir do nosso trabalho.

CP - O espaço do circo é alugado para outros tipos eventos?
NM: Sim. Você tem o aniversário do seu filho e não quer realizar em buffet, compra-se o espetáculo e oferece para toda a família e amigos do seu filho.

CP - O espetáculo é composto por quais números?
NM: As modalidades oferecidas no curso são as de trapézio, pêndulos espaciais, equilíbrio em corda bamba, malabares, arte da mímica e interpretação para palhaços.

CP – Para ser aluno da Epac, o que é preciso fazer?
NM: Basta se inscrever. Nós temos 50 vagas sendo que 30 são destinadas às crianças e adolescentes com idades entre 10 e 18 anos que estejam matriculados no ensino público da capital.

CP - Como fazer para entrar em contato com vocês?
NM: Podem entrar em contato com a gente através dos números: 8817-2630 e pelo 9128-9676 e o 9126-1160. Como outros recursos de comunicação nós temos o Twitter e o Orkut. Contudo, de vez em quando temos um déficit no departamento de comunicação do circo. Mas agora estamos com uma equipe boa e voltamos à ativa nesse setor.

CP – Como o senhor vê as atividades artísticas no Estado? Elas são apoiadas pelo governo? O que falta para os artistas da terra potiguar terem um maior reconhecimento nos outros estados do Brasil e outros países?
NM: Nós temos um déficit muito grande por parte dos gestores, por não entenderem a importância da produção artística na sociedade. Existe ainda uma falta de entrosamento da gestão pública com a gestão artística, com aqueles que fazem a arte acontecer. Existe o recurso, mas falta ainda o entendimento do poder público com a arte e é isso que faz com que a nossa cultura e nossos artistas não se desenvolvam. Contudo, os artistas precisam também saber se organizar, principalmente os de circo. Nós, artistas circenses, começamos a nos organizar no RN agora. Estamos em um momento histórico no Estado, pois estamos a criar fóruns, a discutir questões, a criar assembleias e representatividade por todo o país.

CP – Quando que começou a seu interesse pelo circo?
NM: Meu pai foi funcionário da Câmara dos Vereadores e ganhava muitos ingressos para os espetáculos por causa disso. Então, eu cresci indo muito aos circos. Sempre notei também a minha aptidão para a comicidade e sempre fui extrovertido isso fez que escolhesse o teatro como curso. No teatro, para interpretarmos uma personagem precisamos estudá-la, criar todo um laboratório e as primeiras personagens que interpretei foram os palhaços de circo. Então, comecei a estudar com esses palhaços o que era um palhaço de circo e fui me apaixonando. Só que não somente pelo picadeiro, mas por todo o universo do circo: dos números dos espetáculos à construção da lona do espetáculo.

CP - Como é viver num circo?
NM – É preciso se ter uma paixão muito grande para se viver no circo, as instalações são simples. Contudo, viver no circo é maravilhoso, porque você passa a ter uma visão melhor da realidade. Aprendemos que tudo aquilo que nos apegamos não têm muita importância. Qualquer coisa que nos apegamos ou acumulamos é passageira, mas o que vivemos e fazemos para os outros é o que fica.

CP – Para o senhor, o que é circo?
NM: O circo é uma magia que é feita para explodir na paisagem, gerar toda uma história, criar uma comunicação e passar uma mensagem. O circo tem isso: nasce, morre e renasce a cada novo espetáculo.

CP - O que o senhor acha de circos que utilizam animais em seus números?
NM: Eu discordo da postura desses circos. Ainda bem que essa é uma situação que vem diminuindo. As pessoas já vêem a preservação ambiental como algo de grande relevância. Eu sou a favor dos circos com mais artistas que animais, apesar de não ver problema em números com animais domesticáveis.

CP - Recentemente, o circo foi retirado de Candelária, pela prefeitura. Na época, foi criada uma polêmica. Fale um pouco sobre isso e como vocês conseguiram este espaço, no Pitimbu. Vocês irão se fixar permanentemente nesse novo espaço?
NM: Nós fomos instalados pela gestão anterior da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) em uma área verde no bairro da Candelária. Apesar, de ainda não ser de conhecimento de ninguém que essa era uma área verde, fomos forçados a desocupar o espaço devido a denúncias de moradores juntamente com ao poder público. Contudo, por reconhecer o nosso trabalho e saberem que somos um ponto de cultura do RN, a Semsur forneceu um mapa de Natal para a direção do circo escolher um novo local para se fixar. A escolha recaiu sobre um terreno abandonado aqui, em Cidade Satélite. Quanto a nossa permanência, cabe a cada poder público reconhecer que é o dever deles apoiar projetos como o nosso e a gente paga por esse espaço. Então, é um direito nosso utilizar esse espaço público, é tudo legal e documentado. A única coisa positiva disso tudo foi que, agora, as pessoas acordaram e começam a olhar para o segmento artístico do circo, que não é só festa, é um espaço escolar, de aprendizagem.

CP – E os planos para o futuro?
NM: Os nossos planos é que consigamos ampliar diversos setores da escola inteira. Queremos trazer o filho para a escola, mas também o pai desse aluno para que possamos ampliar o nosso papel social. Mas somos apenas um ponto de cultura, um ponto na paisagem. É preciso muitos mais pontos como esse para que haja uma melhor e maior comunicação.

Nil Moura, fundador do Circo Grock

domingo, 14 de fevereiro de 2010

COMUNICANDO

        Obrigado por acessar o Criando Pauta. Na segunda-feira de carnaval, teremos uma reportagem muito bacana sobre o Circo Grock e uma entrevista com o seu fundador, Nil Moura. Um excelente domingo e até lá.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

REFLETINDO

Prepare o abre-alas do seu coração

João Ricardo Correia
Jornalista

        Há uma sensação diferente no ar. Sorrisos se derramam em todas as direções, lavando as mágoas, fazendo esquecer o liseu do meio do mês. Extravagâncias de todas as partes dão o tom do período, quando homem vira mulher e mulher vira homem, sem precisar gastar dinheiro com cirurgia plástica, nem correr o risco de se transformar em lobisomem.

        A hipocrisia fica escondida sob as fantasias. Máscaras encobrem rostos, às vezes, tão mascarados pela falta de caráter, pela cretinice, que só conseguem se misturar aos outros foliões assim. Falta coragem para sair de cara limpa.

        É o ser humano travestido, caricaturado, assumindo um papel, sendo ator, querendo provar a todo mundo, inclusive a ele próprio, que pode parecer feliz, nem que seja por um, dois, três, quatro dias por ano. Depois, tudo vira cinza na quarta-feira e a realidade volta sem piedade, crua.

        A festa mais popular do Brasil deixa iguais os que se dispõem a desviar da verdade, para encarar uma ficção multicolorida, que deixa, mesmo de maneira alegórica, o negro igual ao branco, o pobre igual ao rico. Carnaval é parecido com um tapete de retalhos, quando uma mistura medonha de tons e cores se dão as mãos para cumprir uma missão. Esse festejo grandioso é cheio de detalhes, tal qual um tabuleiro de xadrez, quando peões, reis, rainhas, cavalos, torres precisam se mexer direitinho, caso contrário colocam tudo a perder. Ah, e não podemos esquecer do bispo! Quantos deles não queriam abandonar os postos que assumem em suas religiões para soltar a franga nesses bailes verdes e amarelos!

        A vida é assim: um emaranhado de interesses, desejos, diferenças... O carnaval é muito semelhante aos bons e românticos laboratórios fotográficos, quando os fotógrafos entravam naquele ambiente quase totalmente escuro e dali viam nascer dos filmes seus personagens. Algumas imagens surgidas surpreendiam por suas características. Algumas pela beleza, outras pela feiúra, outras pela expressão facial e muitas, tantas, pelo poder quase mágico de mostrar algo que nem olhar sensível de quem apertou o obturador percebeu. As concentrações carnavalescas também denunciam situações antes inimagináveis.

        Corpos seminus misturam-se aos requebrados inocentes da menininha de quatro anos, já contagiada pelos sotaques tão variados dos instrumentos musicais. Idosos sorriem fechando os olhos, lembrando dos antigos carnavais. Jovens se entregam de corpo por qualquer preço, esquecendo de preservar a alma para o amanhã.

        O carnaval passará, a quarta-feira de cinzas chegará e a vida continua. Muito bom que é assim que sempre vai acontecer. O resultado de quem - ou o quê - você será depois dessa festança é a síntese do seu comportamento. Nada de falso moralismo, de puritanismo imbecil que se rende ao primeiro gole de bebida alcoólica. Mas também não podemos ultrapassar os limites do bom senso, sempre lembrando que não devemos oferecer ao próximo o que não gostaríamos que nos oferecessem.

        Um carnaval de muita paz para todo mundo. E que o seu coração sempre esteja com o abre-alas pronto para recepcionar as pessoas que te amam incondicionalmente, sem exigir fantasias.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

INTERAGINDO

O que é Psicoterapia?

Vivyanne Farias
Psicóloga (RN)


         A Psicologia acredita no poder de crescimento e transformação do homem, constituindo uma importante ferramenta de desenvolvimento e uma das suas formas de atuação é a Psicoterapia.

        A Psicoterapia é uma modalidade da atuação da psicologia que visa a ampliar a consciência do individuo em prol da saúde geral. Ela é um valioso recurso para lidar com o sofrimento humano por ser fonte de mudanças e compreensão das experiências da vida. Ao promover o autoconhecimento, ou seja, promover a percepção que o indivíduo tem de si mesmo, de seus comportamentos, pensamentos e sentimentos, desenvolvemos habilidades para lidarmos com as dificuldades que nos afligem.

        A Psicoterapia fornece subsídios para que a pessoa entenda melhor suas características, potencialidades e limites, permitindo-lhe tomar para si o rumo da própria vida. Com ela aprendemos a lidar com o sofrimento, fortalecemos a capacidade de gerenciar escolhas pessoais e prevenimos a ocorrência de dificuldades psicológicas ainda maiores, pois são construídas e aprimoradas habilidades duradouras para a construção de uma vida mais saudável, com autonomia e a autenticidade.

Quando as pessoas fazem Psicoterapia?

        É comum que iniciemos uma Psicoterapia quando existe algum obstáculo no desenvolvimento pessoal que gere sofrimento e não conseguimos superá-lo.

        Todavia, podemos recorrer à Psicoterapia em qualquer momento em que sentirmos necessidade, bastando apenas reconhecermos a experiência subjetiva de sofrimento.

        Os motivos mais comuns são problemas de relacionamentos e conflitos (familiares, amorosos, profissionais); ansiedade, depressão, estresse, medos (fobias), síndrome do pânico, transtorno obsessivo-compulsivo, alterações do humor; dificuldades de concentração, memória e aprendizagem; transtornos psicopatológicos, dificuldades de auto-estima e auto-imagem, etc.

Relação terapêutica

        O estabelecimento de uma relação terapêutica segura é fundamental, pois implica num compromisso mútuo de respeito, compreensão e cuidado.

        Cabe ao psicólogo ser um facilitador das mudanças. Cabe ao cliente participar ativamente de seu processo de autoconhecimento e mudanças. Num clima de colaboração genuína, cliente e psicólogo trabalham juntos, escolhem metas terapêuticas e desenvolvem planos para transformações.

        Vale ressaltar que o comprometimento e a periodicidade do tratamento constituem pilares importantes para o êxito da Psicoterapia.

        Reconhecer a necessidade de ajuda terapêutica significa considerar os próprios limites e desafiar-se a crescer.

        Cuidar-se é escolher construir a própria história.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

REPORTANDO

Correios lança campanha contra aids


        O Ministério das Comunicações e a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) lançaram na manhã de ontem, na Agência Central dos Correios em Brasília, uma campanha inédita no Brasil intitulada “Correios contra a Aids”, como parte de uma ação mundial de prevenção à doença.

        A solenidade de lançamento contou com as presenças do ministro da Saúde, José Gomes Temporão; do presidente dos Correios, Carlos Henrique Custódio; do coordenador do UNAIDS no Brasil, Pedro Chequer; do diretor adjunto da OIT no Brasil, Christian Ramos Veloz; além de dirigentes da UNI Global Union e da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect).


        O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, destacou que os Correios são um “parceiro de peso” para a campanha, tendo em vista sua forte presença nacional e a credibilidade alcançada junto à população brasileira. “Quando um exército de trabalhadores tão respeitados se alia a essa luta, ganhamos um aliado poderoso”, disse. O ministro fez, ainda, uma analogia, destacando a eficiência dos serviços dos Correios: “Esperamos que essa campanha chegue às casas dos brasileiros tão rápido quanto o Sedex 10”.

        O presidente dos Correios, Carlos Henrique Custódio, lembrou que a ECT é uma empresa 100% da União, portanto pertence à sociedade. Destacou, ainda, que a ECT vem sendo apontada como instituição brasileira de maior credibilidade, há oito anos, pela revista Seleções e há dois anos pela revista Época Dinheiro. “Nada mais justo do que uma empresa pública como os Correios devolver esse reconhecimento por meio da prestação de serviço, com a nossa força de trabalho ajudando a população brasileira a receber informações sobre esse tema tão importante”, afirmou Custódio.

        No Brasil, o lançamento ocorre estrategicamente na semana que antecede o carnaval. Em uma primeira fase, os materiais da campanha serão distribuídos no Distrito Federal e em regiões prioritárias no Amazonas e na Bahia, estados onde as agências das Nações Unidas atuam conjuntamente no combate à aids.

        Cerca de 120 agências dos Correios participam da campanha, que incluirá a oferta de cartões postais com abordagens bem-humoradas de questões relacionadas ao HIV/aids, a distribuição de 15 mil folders e mil cartazes. A campanha conta também com o envio de cerca de 800 mil mensagens por mala direta postal domiciliária, além de um carimbo comemorativo, lançado no evento desta terça-feira. A meta para 2012 é fazer das mais de 12 mil agências dos Correios de todo o Brasil pontos estratégicos para distribuição de material informativo sobre prevenção às Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e à aids.

        A campanha, lançada em julho de 2009, é promovida em parceria com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS), o Ministério da Saúde, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a União Postal Universal (UPU) o Sindicato Global dos Trabalhadores Postais (UNI Global Union) e a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (FENTECT).

        O Brasil é um dos sete países que participam da campanha piloto, além de Burkina Faso, Camarões, China, Estônia, Mali e Nigéria. As Agências de Correios são responsáveis pela distribuição de material informativo sobre prevenção para a população em geral e para os trabalhadores dos Correios. Para uma segunda fase, a OIT preparará kits com informações sobre o HIV e aids para os trabalhadores dos Correios. Na terceira fase, planejada para 2011, a UPU promoverá a distribuição de um selo em alusão aos 30 anos da descoberta do vírus da aids.

        O site criado para a campanha (www.correioscontraaids.org.br) apresenta seus elementos de maneira lúdica e interativa, informando sobre os vários aspectos das DST/aids: formas de contágio, prevenção, questões ligadas à discriminação, etc. O site também traz um jogo de perguntas e respostas que indica se o participante precisa fazer ou não o teste de HIV.

        Em razão da abrangência mundial da campanha, o tema da edição de 2010 do Concurso Internacional de Redação de Cartas, realizado anualmente pela UPU, será "Escreva uma carta a alguém para dizer-lhe porque é importante falar da aids e se proteger dela". O tema foi lançado no dia 9 de outubro de 2009, por ocasião das comemorações do Dia Mundial dos Correios. O concurso é destinado a estudantes de 9 a 15 anos de idade que estejam matriculados em escolas das redes pública e privada de ensino. (Assessoria de Imprensa da ECT)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

ANOTANDO


EXECUÇÃO
Ninguém fique surpreso se for comprovada a participação de policiais no extermínio de dois casais de comerciantes chineses, encontrados mortos domingo passado, na cidade de Macaíba, na Grande Natal.


PISCA PISCA
A Cosern precisa explicar, detalhadamente, o que tem ocorrido em Parnamirim. A terceira maior cidade do Rio Grande do Norte vive sofrendo com a falta de energia elétrica. Há cerca de 10 dias, houve uma espécie de “apagão”. Ontem, alguns bairros ficaram sem luz do meio da tarde até por volta das 18h30. E o pior: o serviço era restabelecido e suspenso em seguida, por diversas vezes. Era um pisca pisca só.


INTERAÇÃO
Agradeço a Marcílio Pinheiro (MP Contabilidade e Advocacia - Natal/RN) pelo e-mail tão bacana a respeito deste blog.

CONSTATAÇÃO
Jornalista Vicente Serejo lembrou muito bem, em sua coluna d’O Jornal de Hoje. Se o governo do RN vive alegando que não tem como melhorar os salários de algumas categorias, entre elas os médicos, onde danado arranjou grana para bancar shows na praia, para animar multidões e servir de palanque para os pré-candidatos, às vésperas da eleição?


 
ROTINA
Os arrombamentos de residências continuam no bairro do Parque de Exposições II, em Parnamirim, bem pertinho do Parque de Exposições Aristófanes Fernandes, onde todos os anos acontece a tradicional “Festa do Boi”. Toda semana, pelo menos dois casos são registrados. Os ladrões agem, principalmente, durante a “luz do dia”. Semana passada, um deles roubou um botijão de gás e saiu oferecendo no quarteirão vizinho.


 
SINDICALISTA
Presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Rio Grande do Norte, Rossini Braulino, diretor do Grupo Central (RN), esteve semana passada em Brasília, discutindo com colegas de outros Estados os rumos que o setor tomará em breve.


AMPLIANDO
Advogado norte-rio-grandense Arcelino Fernandes acaba de chegar de Goiás, onde ampliou negócios e concretizou parceria com advogados goianos.

VOANDO

Prefeita de Natal, Micarla de Sousa, recuou e proibiu construções de “espigões” em Ponta Negra, alegando ter concordado com a recomendação do Ministério Público. Com essa decisão, a “Borboleta”, como é chamada pelos correligionários, desagradou grande parte do empresariado potiguar. “Ela vai ver se ambientalista vai votar nela, quando for candidata novamente. Os empresários vão saber bem dar a resposta”, disse um construtor ao Criando Pauta.

VIROSE

Hospitais de Natal estão lotados com crianças acometidas de uma virose que provoca febre, diarreia e vômito. Menos mal é que três, quatro dias depois, tudo volta ao normal.

FM

Felinto Filho, diretor da 98 FM (Natal), coloca uma nova emissora no ar. Por enquanto, a frequência é 89,9; mas também consegue ser sintonizada no 89,7 ou 89,8. Por causa dessa “confusão”, ainda não foi feito o lançamento oficial. Diferentemente da 98, que toca o que a maioria das outras rádios do RN tocam - 90% de forró e 10% de música -, a 89 promete percorrer gêneros musicais para agradar a todas as idades. Vamos aguardar.

AM

Rádio Clube AM continua com excelente audiência, das 8 ao meio-dia, quando está no ar, de segunda à sexta-feira, o comunicador Salatiel de Souza, com o “Show da Clube”. Vale a pena conferir.

FISCALIZAÇÃO

As empresas que ainda não têm deveriam realizar auditorias em suas redes de computadores, para evitar que o rendimento da equipe seja comprometido por causa de muitas pessoas que passam a maior parte do tempo, literalmente, jogando tempo fora em programas de bate-papo e em sites de relacionamento. O que tem de patrão pagando para que seus empregados se divirtam no MSN e no Orkut...

PARTICIPE

O Criando Pauta está esperando sua participação. Qual sua opinião sobre o blog? Tem alguma sugestão de pauta? Algum artigo que gostaria de publicar? Envie sua mensagem para o criandopauta@hotmail.com. Será um prazer receber o seu recado.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

COMUNICANDO

        Problemas técnicos impediram a atualização do blog, nesta manhã. A expectativa é que amanhã volte ao normal. E na segunda-feira próxima, matéria exclusiva sobre o Circo Grock.

        Uma excelente semana a todos e obrigado pelo acesso.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

REFLETINDO

Rumos e desencontros

João Ricardo Correia
Jornalista

        O frio daquela noite prometia ser mais intenso que o da anterior, quando os joelhos se espancavam embaixo do velho lençol, todo remendado com pedaços de panos coloridos. Sobre a casa de quatro cômodos, gatos no cio promoviam todo tipo de desordem em busca de uma aventura amorosa. As telhas pareciam desabar em cada carreira dos bichanos atrás das suas amadas.
        No coração daquele homem de rosto talhado pelo tempo, mágoas, ressentimentos, ódios, inveja e desesperança imperavam. Para ele, a vida não valia mais nada. Quanto tempo ainda lhe restava ele nem queria imaginar; estava acomodado. Havia parado. Existia por existir. Ao lado da cama, um tamborete era o fiel companheiro, equilibrando um copo de vidro com três dedos d’água, onde repousava todas as noites a prótese dentária inferior. A superior não prestou mais depois de tantos consertos com durepoxi e outras colas apontadas pelos donos de mercearias como resistentes.
        Espalhados pelo casebre, pedaços de história impressos em roupas, livros, revistas, na coleção de chaveiros arrumada em duas folhas de isopor, no rádio e num violão já sem brilho, por onde desfilaram tantos dedos e melodias numa época tão perfeita, que parecia nunca ter fim.
        A manhã se espreguiçava, dava os primeiros sinais de vida, quando ele levantou com uma dor nas costas daquelas, lavou a boca, colocou a chapa surrada usada há três dias seguidos e saiu de casa. A fechadura da porta recebeu as duas voltas da chave. “Deus me livre de entrarem aqui e levarem minhas coisinhas”, dizia aos mais chegados.

        A
 caminhada para a movimentada avenida onde esperaria os automóveis para pastorar demorava quinze minutos. Quinze minutos para um homem com a saúde em dia. Ele passava meia hora, quarenta minutos para chegar. Nesse dia, já pertinho do seu local de trabalho, deparou-se com um garotinho franzino, pés descalços, bermuda florida, camiseta branca com mangas vermelhas. Os olhares se cruzaram e a curiosidade os aproximou.
        O rapazinho quis saber quem era aquele senhor, onde morava e para onde ia. “Não importa meu nome. Moro perto daqui e vou para onde o destino mandar”, respondeu, sem querer aprofundar o assunto com o precoce desconhecido. Mas não perdeu tempo que também quis saber quem era o jovem, que nunca tinha avistado na redondeza. “Eu moro longe, seu moço. Cheguei até aqui de carona e estou procurando um trabalho. Não sei fazer muita coisa, mas quero fazer qualquer coisa para não morrer de fome”.
        A
s histórias, embora entrelaçadas ali, por acaso, pareciam saídas de um mesmo enredo. O único cigarro no bolso do homem mais velho foi consumido nas últimas tragadas pelo adolescente. Calados, sentados no meio fio, trocavam mais informações que tantas pessoas que conversam, conversam, conversam e não dizem nada de importante. Aquelas duas figuras, que podem viver no seu bairro, na sua rua, passaram uns dez minutos ali, lado a lado, como se imaginando o que poderiam fazer dali pra frente para diminuir o caminho cheio de espinhos que trilhavam diariamente.
 
        Na hora da despedida, o velho questionou: Você não tem pai? - Tenho, mas não sei onde ele mora, nem quem é. E o senhor, tem filhos? - Tenho um, mas nunca vi, porque eu estava preso quando ele nasceu e a mãe do menino nunca me procurou para mostrá-lo. Tristes com a história um do outro, um aperto de mão confortou por um momento a solidão e atestou ter sido bacana aquele encontro, mesmo tão rápido, tão surpreendente, tão cheio de significados. Quis o tempo que aquelas duas criaturas fossem separadas e depois se achassem, em via pública, aos olhos de todo mundo. Um, distante da casinha onde “se escondia”. O outro fugindo do que considerava o “inferno”. Eles não conseguiram se enxergar como pai e filho. Não ligaram as peças do quebra-cabeça e, mais uma vez, se distanciaram. Não sem antes compartilhar um pequeno momento, um recorte sem retoques de duas vidas que até poderiam ser uma só, mas que tomaram rumos distintos.
        Assim é a vida de todo mundo. Nem sempre temos o que queremos, nem sempre encontramos que desejamos. Nem sempre aproveitamos as oportunidades que nos aparecem. Nem sempre nos aprofundamos em assuntos que poderiam mudar nossos rumos.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

INTERAGINDO

Beleza fundamental


Arthur Rocha
Estudante do 3º período de jornalismo (UFRN)

       
O que antigamente só era efetivado em artistas famosos e prostitutas de luxo, hoje é tão comum quanto ir ao supermercado. As intervenções cirúrgicas são feitas por homens e mulheres das mais discrepantes idades e nacionalidades com o objetivo de reestruturar o corpo ou o rosto, tornando-se, supostamente, mais felizes. Entretanto, será que a felicidade realmente se encontra por trás das lâminas de um bisturi, canos de lipoaspiração ou aparelhinhos de massagem que derretem gordura?

       
Há indícios de modificações estéticas no ser humano desde civilizações viventes 7000 anos a.C. Nesse tempo, eram feitas pequenas intervenções cirúrgicas, como implantes de dentes. Atualmente, o primeiro lugar nas cirurgias feitas em todo mundo não é para o implante dentário como no Egito antigo, mas sim para as lipoaspirações do século XXI.

       
As tecnologias se desenvolveram tanto que já se é possível alterar a estatura de um indivíduo em até dez centímetros, como também alterar a estrutura da língua para adaptá-la a uma melhor pronúncia no inglês. No entanto, até onde é válido se arriscar numa plástica?

       
Há quem não pense duas vezes antes de fazer uma correção de nariz, queixo, barriga, seios, mandíbula, etc. Contudo, vale ressaltar que qualquer procedimento cirúrgico – seja com finalidade estética ou não – exige o acompanhamento de um bom profissional na área, hospital ou clínica com boas referências, como também é necessário seguir à risca todas as recomendações médicas prescritas, ou seja, nada de querer voltar às atividades cotidianas antes do tempo de recuperação.

       
Os cuidados com a aparência sempre foram presentes na humanidade, todavia sempre existiram os chamados “padrões de beleza” em determinadas épocas e eles sempre se modificaram de acordo com a evolução dos povos, com a mídia, com a mudança dos valores e costumes da sociedade, com a influência das musas do cinema e da TV e com a moda.

       
Como exemplo desses “padrões”, tivemos as mulheres mais rechonchudas do período renascentista - o que representava fartura; a conhecida e apreciada por muitos ainda hoje mulher-violão – cintura fina, quadris largos; e a chamada “mulher-tábua” - com um exacerbado culto à magreza.

       
Foi aí que as modelos, que sempre conquistaram as platéias e passarelas, passaram a conquistar o gosto do povo: Gisele Bündchen, Daniela Cicareli e tantas se tornam as musas e donas da verdadeira beleza. Depois disso, as aulas de aeróbica nas academias de ginástica e as lipoaspirações deslancharam, tornando o culto ao corpo sarado e com músculos definidos o sonho de qualquer um. As academias e spas lotam, o mercado para os personal trainers surge demasiadamente ampliado e os apetrechos milagrosos mostrados na televisão que prometem deixar qualquer um em forma em pouco tempo são vendidos como água no deserto.

       
Mas, independentemente da época, os “padrões de beleza” nem sempre contemplam a maioria das pessoas, tornando a vida delas uma verdadeira ditadura – nada de Era Vargas, falo da Era Bündchen.

       
Desde criança, meninos e meninas brincam com Barbies e Max Steels que, inconscientemente, já ditam modelos a seguir. É desse modo que, cada vez mais precoce, as vítimas dessa ditadura sofrem com doenças já tão conhecidas e divulgadas por veículos comunicativos - a bulimia e anorexia; além de outras, não tão repercutidas, como a vigorexia, drunkorexia e ortorexia.

       
A boa forma, a saúde e a beleza devem ser priorizadas, entretanto a população deveria alcançar esses méritos com exercícios saudáveis e alimentação adequada. O que não ocorre, pelo contrário: as pessoas ingerem alimentos inapropriados e altamente calóricos visando a, posteriormente, retificar a problemática numa mesa de cirurgia, tomando altas doses de remédios ou exagerando na série de exercícios, transpassando seus limites. Não é por acaso que os Estados Unidos não somente são os campeões do maior índice de população obesa do mundo - e quanto fast food! – quanto de execuções de plásticas interventoras e corretivas.

       
A tão famosa frase do escritor Vinícius de Moraes "As feias que me desculpem, mas beleza é fundamental" não deve ser levada tão ao pé da letra. De que adianta estar sempre se enquadrando aos padrões efêmeros da mídia? O importante é ter saúde e se sentir bem consigo.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

REPORTANDO

Obama assinará acordo de cooperação comercial com o Brasil
Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deverá vir ao Brasil até meados do segundo semestre deste ano. A ideia é ampliar as relações dos Estados Unidos com a América Latina, a partir do contato com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, deve ser assinado um acordo de cooperação comercial entre norte-americanos e brasileiros. O acordo deve incluir temas controvertidos como etanol e suco de laranja.

Antes da visita de Obama, a secretária de Estado, Hillary Clinton, virá a Brasília ainda neste semestre. O objetivo é definir os termos do acordo de cooperação que deve se basear na consolidação de um mecanismo de consulta para promover o comércio e investimentos. O documento não irá acabar com as tarifas nem as barreiras comerciais, mas servirá como instrumento de facilitação de negociações bilaterais.

As visitas de Obama e Hillary foram alinhavadas nos últimos dias entre diplomatas norte-americanos e brasileiros. Obama aguardava apenas oficializar o nome do novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, para confirmar a visita a Brasília. Na quinta-feira (4), Shannon entrega as credenciais a Lula.

Segunda-feira passada, o governo Obama fez uma cerimônia de confirmação de Shannon no cargo, no prédio do Departamento de Estado, em Washington (Estados Unidos). A solenidade reuniu cerca de 300 pessoas – entre parlamentares, representantes do governo e diplomatas. No discurso, Hillary destacou o papel do Brasil. Segundo a secretaria de Estado, o presidente Lula exerce um papel de liderança regional na América Latina.

Hillary ressaltou que o governo Lula participa das principais negociações internacionais, sem esquivar-se de tema algum. Para ela, os principais destaques da atuação brasileira se devem às discussões sobre clima e energia.
 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

ANOTANDO


DECISÃO
O presidente da Assembleia Legislativa do RN, Robinson Faria, assumiu a qualidade de candidato a vice-governador, na chapa liderada pela senadora Rosalba Ciarlini. Há cerca de 4 meses, o filho de Robinson, deputado federal Fábio Faria, dizia no Jornal 96 FM, ao jornalista Diógenes Dantas, que jamais seu pai seria candidato a vice e que ele seria candidato a governador. Seria bom Fábio voltar lá pra explicar o que houve.

DESCASO
Jumentos, cavalos, cães, gatos e outros animais continuam sendo maltratados nas ruas de Natal. Não aparece nenhuma autoridade para defendê-los. E é porque a prefeita Micarla de Sousa é do Partido Verde. Os vereadores também ficam calados.

INSEGURANÇA
Os ladrões continuam fazendo a farra no bairro Parque de Exposições II, em Parnamirim, às margens da BR-101, antes do Parque Aristófanes Fernandes. Todos os dias tem casos de arrombamentos e furtos nas residências.

VOZ
Este blog já publicou matéria sobre a cantora Eliana Ribeiro, da Comunidade Canção Nova. Até o final deste mês, ela fará show em Natal, segundo informou ontem em seu espaço no Twitter.

LIXO
O bairro de Felipe Camarão, na zona Oeste de Natal, pede socorro à Urbana. Tem muitas ruas cheias de lixo.

TRABALHADOR
Jornalista potiguar David Freire é o mais novo integrante da assessoria do deputado federal Betinho Rosado, em Brasília.

INSTRUÇÃO
Duas fragatas italianas estarão no Porto de Natal, no próximo mês.

CARA DE PAU
Tem jeito não. Em ano de eleição, os candidatos vão a velórios, batizados, procissões, shows musicais, feiras livres, feira de artesanato, tomam café da manhã com os pobres... E nós, como se vivêssemos completamente sem memória, vamos lá e votamos nesses mesmos vagabundos. É hora de renovar!

PROPORCIONAL
O presidente Lula é mesmo fenomenal. A pressão arterial dele subiu, Dilma Rousseff também subiu nas pesquisas. É o fraco!

CONSTATAÇÃO
Os entorpecentes continuam matando. Os traficantes de drogas, esses covardes, exterminam inocentes mundo afora. Faça a sua parte. Não use drogas, aconselhe os mais jovens a nem experimentar essas porcarias e denuncie à policia quem ganha a vida com a desgraça alheia.

ESCULHAMBAÇÃO
O terreno na esquina da avenida Antônio Basílio com a rua Doutor José Gonçalves, no bairro de Lagoa Nova, zona Sul de Natal, serve como depósito de lixo e entulhos. Lá, pilares de concreto abandonados dão o tom da falta de zelo com o dinheiro público. Antes, havia uma placa dizendo que ali seria construída a Central de Tributação de Natal.

BANDIDAGEM
Moradores da zona Norte de Natal reclamam da falta de policiamento perto da feira livre do conjunto Panorama. Os arrombadores de veículos agem frequentemente por lá.

LESMA
A obra de duplicação da BR-101, entre Ponta Negra e São José de Mipibu está muito lenta. A superintendência do DNIT no RN chegou a dizer, em 2009, que até dezembro daquele ano tudo estaria pronto. Depois, foi alegado que estava faltando asfalto. Acho é que está faltando vergonha na cara, para dizer a verdade e explicar que só vão terminar o serviço bem pertinho da eleição de 2010.


INTERAÇÃO
Participe do blog. Comente, critique, sugira, opine, mande artigos. Sua participação é muito importante. Nosso e-mail: criandopauta@hotmail.com.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010


ENTREVISTANDO

José Eudo, um mestre no rádio do Rio Grande do Norte


       José Cleudo de Medeiros Câmara, 54 anos, é natural e Caraúbas e trabalha no radiojornalismo.
       Atualmente, desempenha a função de comunicador nas rádios comunitárias Satélite FM 87,9 e na Rádio FM Nova Parnamirim 87,7. Na Satélite FM apresenta, de segunda a sábado, 5 às 06h45, o “Terreiro da Fazenda”, um forrozão tradicional que abre espaço para os poetas da terra. Logo depois, assume o “Jornal Satélite”, com o resumo das principais notícias do momento. Trabalhou em todas as rádios de Natal, menos na 98, 95 e na recente Clube FM. Quando não estava ao microfone, estava por trás, nos bastidores. Começou anunciando músicas, mas queria entrar em contato com o público, comunicar.        Por seu pai gostar de escutar os noticiários do rádio, desde criança José Eudo (nome artístico) tinha como brincadeira predileta entrevistar as pessoas como se estivesse em um programa de rádio. Foi morar em Mossoró e retornou em 1973, para fazer o segundo grau no Colégio Atheneu Norte-rio-grandense e depois prestar vestibular na UFRN.
        O sonho do seu pai era que ele seguisse a sua carreira de farmacêutico ou prestasse vestibular para engenharia civil, pois tinham parentes trabalhando nesses ramos. Zé Eudo, como é mais conhecido, até chegou prestar vestibular para engenharia civil e economia, que era a grande novidade dos anos 70 devido ao milagre econômico brasileiro, mas nunca perdeu o interesse pela comunicação social, especialmente pelo rádio.
        Submeteu-se ao primeiro concurso, ainda estudante do 2º ano do segundo grau, para locutor anunciador da Rádio Rural, que na época era uma rádio musical. Foi a “pior ansiedade” da sua vida e ele não passou dessa vez, mas não desistir de seguir na carreira de radialista.
        Zé Eudo sempre teve muita admiração pela Rádio Poti, devido à programação de qualidade, mas a primeira oportunidade de estágio surgiu na Rádio Rural, quando ele tinha 16 anos. Da Rádio Rural foi pra Poti, rádio grande e profissional e era onde estavam seus grandes ídolos: Ademir Ribeiro, Gilson Freire, José Antônio, Cassiano Arruda, Glorinha Oliveira. Zé Eudo diz que essa primeira experiência na Rádio Poti foi para ele “uma escola”. Da Poti foi chamado para trabalhar na Cabugi - que era a rádio de grande audiência, na época - pois havia aberto uma vaga com a saída de Carlos Alberto, que havia se desentendido com o grupo político dos Alves, que até hoje dirigem a emissora.
        Então, na Cabugi, ele se sentiu estimulado a aprimorar o conhecimento e decidiu fazer o curso de comunicação social da UFRN. Passou no vestibular e como o curso era pela manhã, passou a estudar de manhã e estagiar de tarde.
        Este é um pouco da história desse comunicador, que recebeu a repórter Silvia Correia, sexta-feira passada, na Satélite FM.



Criando Pauta – Cite um momento importante da sua carreira.
José Eudo: Vivenciei a chegada da FM no Rio Grande do Norte. Mesmo estando bem na Cabugi, tive vontade de ir e trabalhar com as FMs também, avançar na profissão. Então, resolvi ir e fiz parte de uma das equipes de locutores pioneiros do Estado.


CP -
Quando as emissoras de FM chegaram ao RN, muitos diziam que seria o fim das AMs. No entanto, muitas persistem com seu trabalho. Como o senhor define as emissoras de rádio AM do Estado? Qual sua avaliação sobre elas?

JE:
As AMs perderam o seu prestígio e audiência com a chegada das FMs, que deram qualidade estéreo ao som, mas elas ainda não perderam o seu papel no jornalismo de cidade, economia e, principalmente, no jornalismo esportivo.



CP -
O senhor é considerado entre os radialistas mais novos como um professor, diante da sua experiência. E quem foram seus mestres na universidade e na profissão?

JE:
Cassiano Arruda, Jânio Vidal, Otêmia, Vicente Serejo, Carlos Lira, o sociólogo Spinelli. E muitos desses professores continuam a lecionar na UFRN. Já na profissão foi Assis de Paula. Considero que ele foi o padrinho da minha carreira, pois me orientava, incentivava e valorizava. Mesmo quando deixei de trabalhar com ele, ele continuou a me acompanhar.



CP -
Como jornalista, o que o senhor pensa sobre o fim da exigibilidade do diploma para o exercício da profissão?

JE:
Sou contra. Além da parte técnica, uma coisa que dou grande valor ao curso são as noções de antropologia, filosofia, sociologia aprendidas pelos estudantes. Sem falar na ética adquirida. Isso nos ajuda a melhorarmos como profissionais e nos torna mais ecléticos e multifuncionais, pois saímos com uma noção de todas as áreas do jornalismo, radialismo, etc.



CP -
O que o senhor acha das emissoras que "importam" programação, deixando de investir na programação local, o que resulta em muitos profissionais desempregados?

JE:
Sou completamente desfavorável à postura dessas emissoras. E quem faz isso, principalmente, são as AMs. Ao invés de estarem alertando a população dos problemas locais, ficam noticiando os problemas de trânsito do Rio de Janeiro ou de São Paulo. É uma pena que façam isso e não saibam utilizar todo o poder denunciativo e persuasivo que o rádio tem.



CP –
Qual é a grande importância das rádios comunitárias?
JE
: A proximidade com a comunidade. É a rádio facilitando a vida do cidadão, como também servindo de entretenimento. O que tá salvando as rádios de Natal hoje são as comunitárias, que possuem uma programação diversificada que vai da religião a política.


CP -
Enquanto estados como Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo têm programação de AMs tão intensas, qual o motivo do mesmo não acontecer no Rio Grande do Norte
JE
: Eu não sei o que se passa na cabeça dos nossos dirigentes. Eles alegam que o mercado publicitário não atende às expectativas das direções das rádios, ou seja, o publicitário local não daria a devida importância às rádios AM, ou ao jornalismo popular dessas rádios. Mas isso é uma questão de tempo, par haver o convencimento das direções dessas emissoras.


CP –
Será que essa pouca valorização do jornalismo local não poderia ser agregada ao fato da divisão desses cursos - publicidade, radialismo e jornalismo - nas universidades? Antes, como o senhor falou, o aluno saía com o conhecimento prévio em toda a área da comunicação social.

JE:
Não acredito nisso. O aluno pode até sair com o conhecimento prévio de tudo, mas é uma questão de interesse dele se especializar em um ramo da Comunicação. Vai muito pela aptidão de cada um. Eu, por exemplo, de jornalismo impresso ou técnicas de televisão aprendi muito pouco, pagava as matérias só para completar o currículo, mas nunca me interessei. Se fosse hoje, eu teria optado a fazer radialismo. Essa divisão só veio para atender aos interesses dos estudantes, o que até facilita a vida de vocês.



CP -
E quanto aos “jabás”, qual o seu posicionamento?

JE:
Quanto a esse questionamento, o que se discuti em termos éticos e de responsabilidade social é que o rádio é educação. Nós, comunicadores, temos a finalidade de educar, ajudar e orientar as pessoas, não podemos contribuir para o que não presta. Não que tudo que as grandes rádios tocam repetidamente não preste, mas muitas vezes não presta mesmo. As rádios precisam sobreviver e os “jabás” e as promoções ajudam os caixas das emissoras, mas os comunicadores devem saber selecionar com quem trabalhar, mesmo nesse sistema de troca.



CP -
O advento da internet, relacionado com a atuação de um radialista atuante como o senhor, o que significa?

JE:
É maravilhoso o acesso que temos a tecnologia hoje. Com um celular podemos gravar, fazer fotos e vídeos e os nossos próprios ouvintes podem interagir com a gente. Se há 35 anos eu tivesse tido esse acesso, com certeza teria muito mais animação e incentivo para trabalhar com a comunicação.



CP –
Quanto às novas tecnologias, o senhor tem blog, Twitter?

JE:
Blog: HTTP://zeeudo.net/index.html . Esse não é um espaço de notícias diárias. É mais um espaço pessoal em que coloco coisas interessantes e que servem para reflexão. Ainda não tenho o Twitter, mas gosto de acompanhar o Twitter dos colegas.



CP -
Como é enfrentar e lidar com os ouvintes?

JE:
Lidar com o público é a melhor coisa da profissão. Embora eu seja tímido, no ar eu consigo interagir melhor. O rádio tem a magia de que a voz dá margem para as pessoas criarem e ficarem imaginando como seria esse locutor. Se eu pudesse, nenhum ouvinte me conheceria, para não perder esse encantamento que o rádio proporciona.



CP –
O que os estudantes de rádio e TV podem esperar do mercado hoje?

JE:
Espero que agora, com a estreia da Rádio Clube, as outras rádios sigam o seu exemplo e abram as portas para os estudantes, que passem a contratar repórteres para irem atrás de notícias locais e com isso o jornalismo do Estado seja valorizado. As rádios comunitárias também são de extrema importância para os estudantes. É um ótimo local para se trabalhar e se desenvolver na profissão.



CP -
Uma notícia que o senhor gostaria de divulgar?

JE:
Uma notícia que eu gostaria de divulgar, que é uma coisa que me atormenta ultimamente, seria que técnicos e especialistas descobrissem através de estudos que Natal/ RN/ Brasil estariam fora de perigo, que seria impossível sofrermos um abalo sísmico de proporções 6,0 ou 7,0 na escala Richter.


CP -
Quem é José Eudo?

JE:
Sou uma pessoa muito família; religioso, católico praticante; sobrevivo da minha paixão que é o rádio; nunca procurei gancho político para trabalhar para o governo e gosto de trabalhar com o jornalismo popular. Sou um homem de estúdio, não gosto de aparecer e gosto de trabalhar com o jornalismo popular, sempre quis comunicar, trabalhar com o público e para o público.


CP –
E quais são seus projetos profissionais?

JE:
Ainda não quero divulgar nada, mas novidades vêm por ai. Em breve irei trabalhar em uma rádio AM de grande porte.